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Comentando O Som do Silencio

Recentemente, o filme foi indicado a seis Oscars, o que está levando muita gente a revê-lo. Então, seguem meus 10 centavos sobre o assunto.

Já faz um bom tempo que assisti ao O Som do Silêncio, sobre um baterista de noise rock que começa a desenvolver problemas auditivos. Na época, até gostei do filme, mas não me empolgou muito. Obviamente, achei o trabalho de som e edição excelentes, mas aplicado a uma história de redenção um tanto fraca. Vamos reconsiderá-la juntos.

Gostei

  1. Da construção e condução da história a partir da sonoridade. Demorou um pouco pra me desligar do hábito de seguir a narrativa e ignorar detalhes, até que aceitei que o som era o foco.
  2. O protagonista, Ruben, é um viciado em drogas em recuperação. Mas isso funciona apenas como um pano de fundo, uma ameaça iminente, mais ligada à perda geral do controle da sua vida. Outras obsessões se mostram mais importantes: a carreira de baterista, manter um estilo de vida, reprimir a raiva e o medo (por isso, a namorada, Lou, funciona como uma garantia pro inseguro Ruben). O filme entende que raramente enfrentamos um só problema por vez, sempre lidamos com sofrimentos complementares e múltifacetados.
  3. A excelente performance de Riz Ahmed, ator que não conhecia. Só quando assisti a algumas entrevistas é que fui perceber a sua capacidade de construção física e psicológica de personagens. Até mesmo a voz de Ahmed tem pouco a ver com a de Ruben.
  4. O cuidado ao retratar os desafios de pessoas com diferenças auditivas. E não tratá-las de forma paternalista.
  5. Mostrar que morar em comunidade é uma alternativa possível e, talvez, necessária, atualmente. Vide os experimentos em cohousing.

Impliquei

  1. O filme não me convenceu muito no quesito “criação de mundos”. Aí, o problema deve ser comigo mesmo. É que passei a adolescência tocando em bandas de rock. E também moro em comunidade há 13 anos. Assim, o underground de que Ruben e Lou faziam parte me pareceu superficial. E a comunidade de “deficientes” auditivos também me pareceu um tanto comercial de margarina.
  2. (Spoiler allert!) A relação entre Ruben e Lou também poderia ter sido melhor desenvolvida. Flashbacks seriam bem-vindos, pra aprofundar os motivos que mantiveram e dissolveram a parceria. Ainda assim, não é uma má-construção de personagens, considerando que o foco está no desafio de Ruben com a mudança na sua audição.
  3. (Spoiler allert!) Os cortes temporais e financeiros depois da cirurgia de Ruben são um tanto abruptos. De repente, surge dinheiro pra viagens. Vai ver, o underground do noise rock norte-americano seja mais economicamente viável nos EUA.

Enfim: bom filme. Mas fica bem melhor depois das explicações e análises sobre a edição. Vídeos abaixo.

Por Eduardo Fernandes

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