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Invadindo os bastidores

Como funciona o processo de concepção e publicação dos meus textos e podcasts.

Na comunidade do Eduf.me no Telegram, o Gabriel Pardal me pediu pra falar sobre os bastidores do meu trabalho de produção de conteúdo. É uma excelente oportunidade pra nerdear sobre meus Processos Gambiárricos e contraption machines (tipo essa). Vamos lá.

Supostamente, o uso de ferramentas responde às demandas dos estilos de vida. Então, você precisa saber algumas coisas sobre mim.

Rotinas

Moro num monastério budista leigo (sem monges). Isso faz com que minha vida seja praticamente um Groundhog Day, uma repetição de várias rotinas, associadas a horários bem regulares.

Sério: se um dia você quiser jogar um míssil na minha cabeça, não vai precisar de um supercomputador pra calcular as minhas coordenadas. Uma planilha do Excel já resolveria. Em tese, posso lhe dizer onde estarei (e até que palavras pronunciarei), em cada horário do dia.

Como praticante, esse é um assunto com o qual terei de lidar cedo ou tarde, já que rotinas tendem a reforçar o apego à identidade e causar uma falsa segurança, que pode vir a ser perigosa. Por isso, professores realizados, como Mingyur Rinpoche, às vezes largam tudo e saem por aí, só com a roupa do corpo. Mas, por enquanto, pra mim, meu estilo de vida é necessário.

Não tenho emprego

Ser staff do templo é minha atividade principal. Desenvolver websites e criar conteúdo são trabalhos paralelos. Então, minha agenda é toda organizada por pequenos ciclos de atenção: 1 hora pra escrever, X horas pra trabalhar e pagar as contas, tantos minutos pra isso e pra aquilo.

Meu orçamento é extremamente limitado

Ou seja: meu equipamento é todo velho e reciclado. Essencialmente, trabalho num Macbook Air 11″ de 2011, todo capenga. Mas também uso um Macbook Pro de 2012, no qual instalei um Linux POP!OS.

Adoro testar ferramentas

Portanto, meus procedimentos sempre mudam. Por exemplo, ultimamente, venho testando dois programas de notas e organização de conhecimento: o Obsidian e o Mem. Até há pouco, fui usuário do Notion. Mas sempre dá um comichão de experimentar outros programas, o que estimula novas ideias, novas formas de escrever e pensar.

Motivação

Como criador, muitas vezes caio nessa maluquice de pensar em “crescer” minha audiência (porque, no fundo, é o único jeito de extrair algum sustento, mesmo que frugal, desse tipo de atividade).

Então, me pego lendo essas coisas de marketing, do estilo “defina qual é o seu valor pra sua audiência”, etc. Quando me dou conta dessa, digamos, alucinação, corrijo meu curso.

É que não quero pensar nessa atividade como um negócio, puro e simples. As pessoas se conectam com autores por fatores muito mais complexos e não-lineares do que simplesmente estratégias de conteúdo e “me ofereça sempre mais do que eu quero”.

Assim, o foco da minha atividade é buscar autoconhecimento. De certa forma, é um exercício de aprender em público. Claro, existe uma forte aspiração de que isso possa beneficiar o leitor / ouvinte também. Mas a verdade é que nunca se sabe.

Input

Assim, minha “cadeia de Input”, ou seja, como eu coleto informações, passa por:

  1. RSS (Feedly ou Netnewswire).
  2. Newsletters.
  3. O Maldito Youtube.
  4. Podcasts (especialmente úteis, porque ouço enquanto limpo a casa, etc.)

Processamento

Uso o super geek Obsidian pra guardar links, organizar ideias e criar rascunhos diários. Mas estou me acostumando a ditar textos pro Transcriber Bot do Telegram e enviá-los ao Mem, que joga o resultado na minha Inbox. Dali eu desenvolvo o assunto.

Mas o Mem tem um problema: é proprietário, gratuito e financiado pela a16z. Então, há grandes chances de que se torne mais uma armadilha do capitalismo de vigilância.

Pautas

Nascem do processamento diário de informações. Mas, como minha ênfase é no autoconhecimento / caminho espiritual, tento usar a velha frase de Chagdud Rinpoche: “a vida não é uma janela, é um espelho”. Isso implica em entender o que essas informações fazem com a minha mente, como elas me prendem ou liberam.

Output

Podcast:

  1. Microfone – um condensador Samson de 2006. Deve ser equivalente ao CL8a, hoje em dia.
  2. Placa de áudio: PreSonus Audiobox USB96. Comprei em promoção graças à doação de um leitor de São Joaquim da Barra, uma cidade na Alemanha (desculpe-me pela piada interna).
  3. Software de edição: Audacity. Até semana passada. Agora, criei um template no Reaper, que está me liberando bastante tempo.
  4. Plugins: compressores e equalizadores gratuitos da Tokyo Dawn Labs.
  5. Publicação e distribuição: Anchor.fm, mas republico no site Eduf.me, usando o plugin Podcast Importer, do WordPress.

Site

  1. WordPress, por enquanto. Aos poucos, estou migrando pro 11ty, que é um dos melhores geradores de sites estáticos da atualidade.
  2. Revisão de textos. Hmmm. Não ando conseguindo revisá-los, basicamente. Mas, pelo menos, tenho usado o Language Tool, pra pegar erros mais grosseiros (prefiro evitar o Google Docs). Como tem extensões pra navegadores, o Language Tool se integra com a interface do WordPress.
  3. Distribuição do conteúdo. Automatizo algumas partes do processo, mas só quando não quero ser sugado pro ambiente daquelas ferramentas (Medium, Twitter e Mastodon). Nesse caso, uso o Zapier e o Automate.io. Posto manualmente no Telegram, porque realmente interajo com a comunidade.

Newsletter

Uso o Buttondown, por ser minimalista, elegante e trabalhar bem com Markdown. E também por me deixar enviar e-mails limpos, que não espiam a caixa postal alheia.

Inspiração

Pra facilitar a leitura, tenho usado outlines como esta nos textos publicados na web (infelizmente, o suporte nos clientes de e-mail é bem limitado). Clique no texto pra revelar os detalhes.
A inspiração vem de Dave Winer, do Obsidian e do Roam Research.

Chega!

Ufa. Muita coisa. Pergunte se quiser mais detalhes.

Mas não posso encerrar o texto sem mencionar alguns componentes essenciais pro meu trabalho: Guenmaicha, da Yamamotoyama, Amendo Power e Tahine. No fundo, essas são as coisas mais simples, que fazem este primata agro-geek feliz.

Por Eduardo Fernandes

Notas#